AÇÃO PEDAGÓGICA, UMA PRÁTICA CARREGADA DE INTENCIONALIDADE
Significado da prática de planejar e replanejar ao longo do processo
PLANO E PLANEJAMENTO
O planejamento é o pensamento. Quando ainda estamos definindo nossas compreensões, pensando no que realizar para construir uma prática que responde às intencionalidades pretendidas, é apenas pensamento. As escolas de modo geral, organizam no início do ano letivo a Semana de Planejamento, ou as reuniões de planejamento. Planejar significa tomar decisões. Que decisões? Que escolhas? O que privilegiar e por quê? Essas questões fundamentam as práticas que realizamos. ( o quê/ para quê/ como/para quem/ por quê)
O plano, na perspectiva pedagógica pode ser definido como o registro do planejar. Quando elegemos, escolhemos, e/ou decidimos por uma possibilidade de ação, é muito importante escrevê-la. Quando se trata do plano de aula, o esquema registrado serve como orientação para que possamos articular nossas ações de modo mais significativo.
Plano é um documento utilizado para o registro de decisões do tipo: o que se pensa fazer, como fazer, quando fazer, com que fazer, com quem fazer. Para existir plano é necessária a discussão (planejamento) sobre fins e objetivos, culminando com a definição dos mesmos, pois somente desse modo é que se pode responder as questões indicadas acima.
TIPOS DE PLANEJAMENTO ( E PLANOS)
Planejamento Educacional – também denominado Planejamento do Sistema de Educação, “[...] é o de maior abrangência, correspondendo ao planejamento que é feito em nível nacional, estadual ou municipal. Incorpora e reflete as grandes políticas educacionais.” (VASCONCELLOS, 2000, p.95).
Vale para todo sistema educacional.
Exemplo: O PNE - Plano Nacional de Educação é o resultado do Planejamento Educacional da União.
Planejamento Escolar ou Planejamento da Escola – atividade que envolve o processo de reflexão, de decisões sobre a organização, o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição. "É um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social." (LIBÂNEO, 1992, p. 221).
Exemplo: Mais um ano se inicia! Um bom Planejamento Escolar feito na primeira semana do ano letivo, certamente, evitará problemas futuros. Esse é o objetivo da Semana Pedagógica: reunir gestores, orientadores, supervisores, coordenadores e corpo docente para planejarem os próximos 200 dias letivos. É o momento de integrar os professores que estão chegando, colocando-os em contato com o jeito de trabalhar do grupo, e, claro, mostrar os dados da escola para todos os docentes, além de apresentar as informações sobre as turmas para as quais cada um vai lecionar. Veja o que é importante planejar, discutir, elaborar e definir nessa primeira semana do ano:
as diretrizes quanto à organização e à administração da escola,
normas gerais de funcionamento da escola,
atividades coletivas do corpo docente,
o calendário escolar,
o período de avaliações,
o conselho de classe,
as atividades extraclasse,
o sistema de acompanhamento e aconselhamento dos alunos e o trabalho com os pais,
as metas da escola e os passos que precisam ser dados, durante o ano, para atingi-las,
os projetos realizados no ano anterior,
os novos projetos que serão desenvolvidos durante o ano,
os temas transversais que serão trabalhados e distribuí-los nos meses,
revisar o PPP.
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Planejamento Curricular – é o "[...] processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar. É previsão sistemática e ordenada de toda a vida escolar do aluno. Portanto, essa modalidade de planejar constitui um instrumento que orienta a ação educativa na escola, pois a preocupação é com a proposta geral das experiências de aprendizagem que a escola deve oferecer ao estudante, através dos diversos componentes curriculares." (VASCONCELLOS, 1995, p. 56). O Planejamento Curricular tem por objetivo orientar o trabalho do professor na prática pedagógica da sala de aula. Segundo Coll (2004), definir o currículo a ser desenvolvido em um ano letivo é uma das tarefas mais complexas da prática educativa e de todo o corpo pedagógico das instituições. Exemplo: PCN. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), elaborados por equipes de especialistas ligadas ao Ministério da Educação (MEC), têm por objetivo estabelecer uma referência curricular e apoiar a revisão e/ou a elaboração da proposta curricular dos Estados ou das escolas integrantes dos sistemas de ensino. Os PCNs são, portanto, uma proposta do MEC para a eficiência da educação escolar brasileira. Todavia, a escola não deve simplesmente executar o que é determinado nos PCNs, mas sim, interpretar e operacionalizar essas determinações, adaptando-as de acordo com os objetivos que quer alcançar, coerentes com a clientela e de forma que a aprendizagem seja favorecida. Outro Exemplo: Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental do Município do Rio de Janeiro.
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atenção: A BNCC apresenta os conhecimentos fundamentais que se espera que o estudante aprenda em cada ano da Educação Básica. Já o currículo se configura como o percurso que cada instituição educacional estabelecerá para desenvolver as competências e habilidades propostas pela BNCC. Portanto, a BNCC não é um currículo em si, mas parte dele. Sua função é orientar a construção dos referenciais curriculares e dos Projetos Político-Pedagógicos das escolas, preservando a autonomia de cada rede de ensino.
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Planejamento de Ensino é a especificação do planejamento curricular. Previsão dos objetivos e tarefas do trabalho docente para o ano ou semestre. É desenvolvido, basicamente, a partir da ação do professor e compete a ele definir os objetivos a serem alcançados, desde seu programa de trabalho até eventuais e necessárias mudanças de rumo. Cabe ao professor, também, definir os objetivos a serem alcançados, o conteúdo da matéria, as estratégias de ensino e de avaliação e agir de forma a obter um retorno de seus alunos no sentido de redirecionar sua matéria. Planejamento de Ensino deve prever:
1. objetivos específicos estabelecidos a partir dos objetivos educacionais;
2. conhecimentos a serem aprendidos pelos alunos no sentido determinado pelos objetivos;
3. procedimentos e recursos de ensino que estimulam, orientam e promovem as atividades de aprendizagem;
4. procedimentos de avaliação que possibilitem a verificação, a qualificação e a apreciação qualitativa dos objetivos propostos, cumprindo pelo menos a função pedagógico-didática, de diagnóstico e de controle no processo educacional.
O resultado desse planejamento é o plano de ensino, um roteiro organizado das unidades didáticas para um ano, um semestre ou um bimestre. Esse plano deve conter: ementa da disciplina, justificativa da disciplina em relação aos objetivos gerais da escola e do curso, objetivos gerais, objetivos específicos, conteúdo (com a divisão temática de cada unidade), tempo provável (número de aulas do período de abrangência do plano), desenvolvimento metodológico (métodos e técnicas pedagógicas específicas da disciplina), recursos tecnológicos, formas de avaliação e referencial teórico (livros, documentos, sites etc.). Do plano de ensino (plano de curso) resultará, ainda, o plano de aula, onde o professor vai especificar as realizações diárias para a concretização dos planos anteriores.
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